O Homem e a Necessidade de registrar

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O homem, enquanto ser racional e social em sua essência, em todo tempo, Tem a necessidade de se expressar através de registros do cotidiano.

Já observaram as carteiras de escolas? Nomes, declarações de amor e, o mais interessante, desenhos de percepções de mundo. Os muros das cidades com os glifos, ora a arte contemporânea, o grafite, ou as pichações. Nas cidades antigas,  as pinturas sensuais de Pompéia e Roma, no Egito, as monumentais pinturas dos atos de guerra, ou nas tumbas, as cenas da vida.

A mente humana exige de si os registros externos como necessidade intima da própria memória. Ritual? Permanências? Medo do esquecimento? Conclusão! Tudo se resume em arte. Muitos perguntam o que é a arte. É uma pergunta difícil de responder. Por quê? Porque é demasiadamente subjetiva, é algo abstrato que não se prende a uma única interpretação, conceito ou definição.

Como vamos saber o que se passava nas mentes de nossos primeiros ancestrais quando registravam em cavernas cenas de caça, animais, as próprias mãos,  desenvolvendo as pigmentações?

Por que as crianças gostam de desenhar? Não há respostas, porque o cérebro humano é complexo e a área correspondente à arte ainda é obscura. Melhor pensar que registramos imagens, cores, acontecimentos, a nós mesmos em autorretratos, porque temos medo do esquecimento.

 

Trabalho ou instrumento de tortura?

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A necessidade de sobrevivência humana determinou a vida em grupo. A vida em grupo, por sua vez, fez com que o homem buscasse soluções para o que o torna vivo: a alimentação. Daí, foram desenvolvidas as técnicas e divisões de tarefas para atender as necessidades do grupo. Os caçadores coletores de raízes e frutos, os pescadores, tarefas que ainda estavam relacionadas ao social primitivo caracterizado pelo nomadismo. Com a domesticação de plantas e animais, as mudanças sociais foram ocorrendo. Era o semi-nomadismo, o sedentarismo com agricultores e pastores até às edificações das primeiras cidades. Mas, as novas técnicas de obter e acumular alimento deu origem à propriedade da terra, dos grãos e dos meios de produção. O homem se enche de ambição e poder, o ter e o ser se dão as mãos e uma nova caminhada passa a fazer parte da jornada humana. Guerras territoriais por riquezas materiais e por força de trabalho, o homem toma posse de outros homens para fins econômicos, dando origem à escravidão.

Na Antiguidade, predominantemente, a força de trabalho, o produtor direto será o escravo, mas, não é uma regra. O trabalho escravo e o trabalho livre coexistiram e fizeram parte dos contextos das grandes construções, produção de alimento e trabalho doméstico. A visão histórica dos trabalhadores do Egito nas construções das pirâmides, afirmam que em maioria eram trabalhadores livres que recebiam remuneração e viviam com suas famílias. Na Grécia da democracia, trabalhavam juntos, escravos, homens livres estrangeiros e cidadãos. Os filmes, as ficções, as historiografias ultrapassadas devem ser esquecidas e os paradigmas substituídos.

A história do trabalho é longa…segundo Karl Marx o teórico do materialismo histórico, o qual apresenta apenas uma vertente de pensamento, todo mal está na propriedade privada dos meios de produção, e o ponto de crítica é a divisão de grupos sociais que a propriedade provoca, sendo a história da humanidade uma história de lutas de classes: os que tem a propriedade e os que não tem. Na antiguidade, os aristocratas proprietários contra os expropriados transformados em mercadorias, os escravos. No medievo, os Senhores feudais contra os camponeses e servos, na modernidade, os burgueses explorando os operários. O lucro passou a ser o protagonista número um das relações sociais de produção e os homens pobres tiveram sua força de trabalho extremamente desvalorizada, era o capitalismo selvagem que subiu à cabeça dos magnatas das indústrias.

As reações foram nascendo. O movimento Ludita, o Cartismo, as Trade Unions, os sindicalismos revolucionários até chegar ao comunismo e suas vertentes. A história do trabalho se manchou de sangue, não só pelos operários de Chicago, mas por todos os que lutaram e perderam suas vidas por sonharem em ter direitos à  qualidade de vida, respeito, crescimento pessoal que se transformam em amor ao trabalho de maneira que as tarefas, as funções são desempenhadas de forma lúdica e até voluntária. O homem rejeita o retrocesso, a sociedade não pode ter um tempo codificado por um relógio retrogulante. A vida não anda para trás.

A palavra trabalho deriva do  do latim tripaluim que significa instrumento de tortura. A humanidade já cansou  de ser torturada…

Muitas obras de arte retratam trabalhadores, mas, as que mais entristecem são as obras que mostram os navios negreiros. Os jornais, amanhã, em fotografias, mostrarão os protestos que começaram em 30 de abril e continuarão, porque a luta contra a opressão não tem fim. A arte acompanha a História.

Observando a História: Memória coletiva

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Como pensar no tempo, sem pensar nas pessoas? Como pensar nas pessoas, sem pensar nos lugares? Você já experimentou voltar atrás no tempo, a um tempo específico, vamos supor, a década de sua infância, seja ela nos anos 60, 70, ou mesmo 80,90, 2000? Qual referência vem a sua mente? Um perfume, uma música, palavras? Ora, o cheiro ou a canção e as palavras estarão sempre relacionadas às pessoas que ocuparam um determinado espaço: sua casa, sua escola, sua rua, enfim sua cidade, seu estado, seu país. Você estará lá como um observador ou como um agente, mas você estará lá. O perfume pode ser de uma fruta, de uma flor, ou de sua mãe, da comida que ela fazia. A música será a sua favorita, uma que marcou um momento mágico. As palavras… ah! As palavras, as que ouvimos ou as que falamos estarão registradas lá, porque estão registradas na nossa mente, ou na mente de quem as ouviu. Com certeza fizemos história, nossas ações no tempo e no espaço fazem a história onde cada um de nós é o principal personagem.

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O Início de uma jornada

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O homem é um ser racional e afetivo, dificilmente as duas características podem ser observadas separadamente.Daí o parâmetro de nosso objetivo.
A ciência comprovou que a origem da humanidade está no continente africano e, a partir das necessidades de sobrevivência, foi migrando para outros espaços. Ao longo de sua jornada, foi deixando resíduos de sua permanência, artefatos como lanças, agulhas de osso, esqueletos, pinturas em cavernas, símbolos de sua cultura incipiente diante dos desafios do meio ambiente.
O que mais chama atenção dos arqueólogos é o que comiam, a incipiente religiosidade, como criaram técnicas de armamentos para caça e, principalmente, como faziam as pinturas em paredões elevados e em cavernas. Como obtinham as tonalidades a partir dos pigmentos naturais extraídos de plantas e de minérios. Há pouco tempo, através de experimentos, descobriu-se a técnicas do cuspi, muito difícil, mas usada com habilidade por nossos ancestrais.
A necessidade de alimento, deu origem aos conflitos e à  territorialidade, com a agricultura, o homem começou a produzir seus grãos e fixou-se em lugares que deram origens às cidades.
Em tudo, a arte e as ações humanas se vincularam. Em cada cidade que surgia, a arte acompanhava o desenvolvimento da mente humana, caracterizando poder e expressando o modo de vida da comunidade.
África: início de uma história




Viajantes do Tempo

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Eu e você, nossa ancestralidade e os que vem depois de nós, estamos interligados pelo fator do DNA. Temos em nossa constituição genética padrões que vão se repetindo e gerando quem somos nós e quem será a nossa posteridade. A História está inserida em todo esse contexto biológico porque nossas ações e comportamento não são apenas fruto do meio de onde vivemos, da sociedade na qual estamos. Mas, temos o que chamamos caráter, personalidade e, principalmente, a memória genética. Fazemos coisas que não compreendemos. A arte é a expressão dos comportamentos porque o homem tem a necessidade de registrar para aprender e ensinar a desenvolver a capacidade mental e manual que é a sua essência criativa.  Continue lendo